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Precisamos conversar sobre eco-consumismo

mar 18 / 2017 12:00AM

Em tempos que estamos questionando nossa posição no mundo, o que comemos, bebemos, pensamos e falamos. Quando questionamos o nosso lixo, o produto que a gente usa no corpo, a fralda do bebê, a marca que polui menos, aquela que não contrata mão de obra escrava, se teve teste em animal e mais uma infinidade de coisas, muitas opções têm surgido para atender essa demanda toda gerada por nós questionadores.

A comunicação é a mesma, e pior, ela vem transvestida  de consumo livre de culpa, você tem “carta verde” pra comprar aquela marca, está perdoado e seu lugar ao sol será reservado em cadeira cativa, afinal você ama o astro rei e o aplaude, sempre que pode, em posição de lótus na praia.

O consumismo disfarçado de verde folha

O consumismo é um hábito, aprendido desde cedo em nossa cultura, se não o questionamos podemos até mudar o foco do consumo, mas ele continua lá, inalterado, e com selo eco pra comprovar.  Quando temos uma necessidade, vem quase no automático: “eu preciso comprar isso” e não “eu preciso disso”, a criatividade e imaginação ficam de lado e aparece uma solução em forma de cartão de crédito –  eles moram em dezenas nas nossas carteiras e são a solução para quase tudo.

Mas consumir não é o vilão mor, vivemos numa sociedade capitalista, a nossa força de trabalho se transforma em moeda e com ela atendemos nossas necessidades e desejos, não há pecado nisso, o ruim é quando ele excede nossa real necessidade, quando ele nos domina, quando cada vez mais precisamos de coisas pra ser e pertencer. Quando digo isso, pode vir a imagem de uma pessoa fútil na última balada hype, mas não precisa fazer parte dessa tribo.

Você pode querer consumir pra pertencer ao grupo de yoga, com a camisa de algodão orgânico e ganesha estampado, a malha de fibra de bamboo, o app do momento para meditação e uma infinidade de coisas. Você acha que precisa disso pra entrar naquela sintonia, pensa que será criticado se for com a sua bolsinha de naylon, praticamente não usada, para a aula, porque naylon polui, mas você já a possui e ela irá realmente poluir se descartada.

“O consumo sustentável, ético, responsável e consciente não é uma simples questão de escolha de consumo. Depende de um sistema político-econômico compatível com as leis da ecologia. Quando é a própria cultura de consumo que define o que é ecológico, a ecologia se reduz à produção e ao consumo de tecnologias mais eficazes e que desperdiçam menos matéria e energia, mas não necessariamente respeitam as limitações ecológicas. A cultura de consumo não consegue ser ecológica porque não consegue ser limitada pelas leis que limitam todas as outras espécies de animais, ela meramente usa o conhecimento ecológico para proveito próprio, evitando seus efeitos limitadores o máximo possível.”

Janos Biro

O conceito ecologicamente correto sustentado por muitas empresas não passa de um esforço de marketing para continuarem produzindo, gerando renda e consumo, é nisso que se baseia as grandes indústrias e muitas não estão dispostas a abrir mão de rendimento pelo bem do planeta.

Empoderamento e consumo consciente

Na contramão das empresas que se aproveitam dessa tendência, alguns movimentos ganham força: #compredequemfaz  #artesanal | #handmade #lixozero #comerciojusto #agriculturafamiliar #feitoamao | #homemade #economiacolaborativa #facavocemesmo ou #diy. Nessa onda, as pessoas se empoderaram, largaram seus empregos entediantes e formais, produzem pros amigos e simpatizantes, elas criaram uma rede forte e bacana e fazem compras sim, mas conscientes, preocupadas, sem necessidade de grandes estoques. Essas mesmas produzem também, não só para amigos e afins, mas para si, aquela máscara caseira de beleza, ou o móvel que enfeita a sala de estar, elas estão conectadas na mesma vibe, reaproveitam embalagens, separam o lixo, ou as vezes não, mas fazem o que podem, realmente se importam com o mundo, não estão consumidas por mais um modismo, uma onda, não é um #projeto passageiro, é uma filosofia, um estilo de vida, elas vão mudar o mundo e passar isso para seus filhos.

Citação retirada de Eco Debate | Foto Destacada: @jbriscoe__




  Por Camila Soares

Comunicóloga e adepta do slow lifestyle. Escreve sobre a estilo de vida, beleza, saúde, marketing, comportamento, empreendedorismo, e mais o que vier, sempre com foco em conteúdo para quem quer um dia a dia mais leve, saudável e contemplativo.🌿 camila@slowlifestyle.com.br

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