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Comer saudável é um ato social, econômico, sustentável e de amor

mar 17 / 2017 12:00AM

Escolher o que comer deveria ser direito de todos e, além de tudo, ter informação a respeito do que realmente consegue nutrir o nosso corpo também traria bons resultados, pois assim ficaria mais fácil – o que não quer dizer mais acessível – decidir o que melhor convém. Quando temos informação podemos escolher de forma consciente, tendo noção do real impacto daquela escolha em nossas vidas, na sociedade como um todo, nas gerações futuras e em todo o ecossistema.

Optar por alimentos saudáveis pode ser caro e até inacessível para muitos, mas tem muita coisa que precisa ser desconstruída a esse respeito, é preciso estar aberto a reconstruir alguns hábitos alimentares – veja por isto, não apenas o ato de escolher ou consumir certos tipos de alimentos, mas também a relação que você tem com a comida, o tempo que se dedica ao preparo dela, a origem dos alimentos que consome, entre outras coisas.

Consumir tudo já pronto por não ter tempo de preparar nenhuma das refeições no dia é caro e pode custar muito mais à sua saúde.

A primeira dica que eu dou é: faça substituições, muitas vezes não nos damos conta da quantidade de produtos que acabamos consumindo e que encarecem demais nossas compras: são iogurtes prontos, sucos, embutidos, biscoitos, queijos ultraprocessados, enlatados e mais uma infinidade de coisas. Como diz Bela Gil: “Você pode substituir…” tudo isso, por ingredientes para produzir seu próprios lanches, recheios e pratos.

Revise sua rede de suprimentos

Sair do piloto automático pode ser um grande passo para reformular a forma como você come, por isso vale fazer a seguinte pergunta: “De onde vem a verdadeira comida cheia de nutrientes que alimenta o corpo?”. Diminuir a distância entre o produtor e o consumidor pode ser uma boa decisão, mas isso vai exigir mudar algumas rotas já padronizadas no seu dia a dia.

Quando você escolhe consumir de quem está perto de você, além de ter acesso a produtos mais frescos você contribui para o fortalecimento da economia local, o que é muito bacana!

Eu tenho o grande privilégio de ter encontrado o Eco-Sítio Takenami, que entrega alimentos orgânicos na minha casa, o que acaba sendo bastante cômodo. As compras são feitas pelo site e os alimentos entregues em dias preestabelecidos, de acordo com o bairro que você mora. São: legumes, leguminosas, ovos, carnes, massa para bolo, massa para beiju, frutas e verduras, frescos ou congelados. Além do Takenami, outros estabelecimentos complementam minhas compras, como a Rede Moinho, o  Viva o Grão, a peixaria do bairro e mais alguns outros estabelecimentos aqui em Salvador.

Procure em sua cidade por locais assim, talvez uma feira orgânica, cada dia elas se multiplicam mais, aumentando o acesso à alimentos de qualidade. O App Mapa de Feiras Orgânicas pode te ajudar a encontrar uma perto de você. Ele é gratuito e possui versão para Apple e Android. É só clicar e baixar 😉

Compre ingredientes frescos semanalmente ou quinzenalmente

Alimentos frescos tendem a perder mais facilmente, por isso, acabamos desperdiçando muito quando tentamos estender essa compra por mais tempo. Tente perceber o consumo de certos produtos em sua casa e vá equilibrando a feira semana a semana, até conseguir achar a sua equação. Eu, por exemplo, nunca compro uma penca de bananas, embora as consuma com frequência, elas amadurecem muito rápido e eu gosto mais do sabor da banana quando ela está perto de amadurecer.

Você vai achar o seu equilíbrio, principalmente quando lembrar que no Brasil, anualmente, são desperdiçados 41 mil toneladas de alimentos por ano, e mais:

“O Brasil está entre os dez principais países que mais perdem e desperdiçam alimento. Estamos falando da cadeia de perda e de desperdício. Perda que tem a ver com a colheita, a pós-colheita, com a distribuição e o desperdício que já vem no final da cadeia, que é no varejo, no supermercado e com o hábito do consumidor”

Viviane Romeiro, coordenadora de Mudanças Climáticas do World Resources Institute (WRI) Brasil

Além de não ter que dormir com esse peso, quando você não desperdiça economiza dinheiro para comprar aqueles ingredientes que são de fato um pouco mais caros, nesse caso, você estará substituindo desperdício por produtos que custam um pouco mais.

Faça sua própria comida

Esqueça aquela ideia de que comer saudável é comer somente salada, não é isso, são também: pães, bolos, doces, biscoitos, conservas, sopas, massas, geléias, sorvetes, molhos, ensopados, risotos e recheios para todos os tipos de refeição. Na internet o que não falta são sites com receitas para as dietas mais variadas, você pode também fazer adaptações e cortar e substituir ingredientes que não consome ou são mais caros, por outros que cumprem o mesmo papel. Além disso, vai encontrar diversas opções de pratos que podem ser congelados, mantidos em conserva ou na geladeira.

Pode me dizer que não tem tempo para cozinhar, e eu tentarei te fazer refletir que o tempo gasto pode ser relativo, quer ver?! Toda mudança de rotina parece bem mais trabalhosa do que manter comportamentos habituais. Inicialmente vai gastar um tempo procurando receitas, refazendo a lista da feira e do mercado, depois esse trabalho não existirá mais, terá o seu cardápio mais ou menos definido. Aí pode me perguntar: “Mas onde, na minha agenda super atribulada, eu vou arranjar tempo para cozinhar?”, vou te responder com uma pergunta: “Onde você arruma tempo para ir diariamente, ou quase isso, comprar pão, presunto, queijo e mais aquelas coisinhas que sempre acabam faltando?”. O tempo gasto indo ao mercado, estacionando, pegando fila, voltando pra casa, arrumando as compras, passará a ser o tempo de preparo. Pode me falar: “Mas terei que ir ao mercado mesmo assim comprar os ingredientes”, e eu te digo que quando decide fazer escolhas saudáveis, o seu tempo no mercado é reduzido consideravelmente, naturalmente pulará várias seções onde eram vendidos aqueles produtos todos citados lá no início, suas compras basicamente vão se restringir aos setores hortifrutigranjeiro e de mantimentos. Isso se não preferir optar pelas feiras livres ou pequenos estabelecimentos que vendem legumes e alimentos saudáveis.

Mas vamos considerar que você não tenha tempo mesmo de fazer a sua própria comida, então, você já pensou em terceirizar o serviço? Comer na rua talvez acabe saindo mais caro que contratar uma pessoa para ir à sua casa uma ou duas vezes no mês preparar algumas refeições. Pense nisso!

Monte um cardápio estratégico e respeite os ciclos da natureza

Quem consome produtos agroecológicos sabe que a disponibilidade de certos alimentos pode variar de semana para semana, de mês para mês, por isso, seja flexível e saiba se adaptar quando certo tipo de alimento que costuma consumir estiver em falta. Sabendo respeitar os ciclos da natureza você não esgota os recursos, assim, o que chegar à sua mesa será muito mais saudável e sustentável. Com o tempo você pega o ritmo da disponibilidade dos tipos de legumes, frutas e verduras que o seu “fornecedor” irá te oferecer cada mês do ano. Assim, também acabará aderindo a uma dieta mais variada e conseguirá suprir as variadas necessidades nutricionais do seu corpo.

Uma boa dica para evitar desperdício é repetir o mesmo alimento em mais de uma receita na semana – se você fez uma lasanha de abobrinha, pode fazer também um ratatouille alguns dias depois; assim evita comprar uma variedade grande de alimentos na mesma semana, o que pode fazer com que use um pequeno pedaço de cada e o restante acabe apodrecendo na geladeira.

Tire o máximo proveito de cada alimento. As cascas da laranja podem aromatizar uma calda ou geléia, raspas de limão temperam muito bem peixes, molhos, mousse, sopas e saladas. Cascas de abacaxi rendem um chá de sabor indescritível, além de servir para fazer água aromatizada. A água que usa para hidratar cogumelos secos serve para cozinhar sopas, risotos e  molhos.

Toque Gourmet

Sabe aquele dinheiro que economizou com desperdício zero, e sem comprar aquelas coisas caras lá do início do texto?! Invista em alguns produtos para incrementar seus pratos. Eu gosto muito de missô, uso no risoto, molho de salada, no yakisoba e como recheio, mas costumo comprar também: cogumelos frescos ou secos, frutas secas, nibs de cacau, nozes, castanhas, amêndoas, creme de azeitona, extrato de baunilha e outros ingredientes “especiais”.

+ Proteína Vegetal

Carnes orgânicas ou de animais criados soltos e sem uso de antibióticos são mais caras, está aí um ótimo motivo para tentar diminuir o consumo de carnes em geral. Uma boa dica é usá-la em quantidade menor, ou não consumir proteína animal em todas as refeições, ou todos os dias, ou ainda, caso prefira, não consumir mais proteína animal. Para iniciar esses processos pode tentar aderir ao movimento #segundasemcarne.

Aqui vou listar alguns bons alimentos ricos em proteína que podem equilibrar suas refeições sem carne, como: cogumelo, castanha, grão de bico, espinafre, brócolis, feijão, couve flor, semente de abóbora, amendoim, quinoa, algas marinhas. Caso tenha dificuldade com as porções necessárias dentro da sua rotina de vida, busque ajuda de um nutricionista.

Quem quiser consumir carnes orgânicas e sustentáveis pode procurar pela marca Korin, eu costumo encontrar aqui em Salvador no Bompreço e na Perini, mas segundo o site da marca é possível encontrar também na Nutrimaster e na Araujo Mateus Importação e Distribuição, além de nos restaurantes Amado e Azeite Doce Culinária Orgânica e Natural. Para consultar os estabelecimentos no Brasil onde pode encontrar a marca entre no site.

Faça uma horta orgânica

E por último, mas não menos importante, plante alguns alimentos em uma pequena horta orgânica em casa. Experimente começar por temperos como: manjericão, coentro, salsa e cebolinha. Se você tiver filhos, aproveite para trazer as crianças para essa “brincadeira”. Além de se divertirem, ainda contribui para que elas sejam inseridas de forma sutil ao universo dos alimentos saudáveis. Precisando de ajuda na hora de plantar, existe um grupo muito bom no facebook onde pode tirar dúvidas sobre cultivo de plantas ou alimentos, chamado Hortelões Urbanos.

Se tiver alguma dica e quiser colaborar para que mais pessoas tenham facilidade em aderir à alimentação saudável, coloca aqui nos comentários 😉

Foto Destacada: Old Faithful Shop: loja, localizada em Vancouver, “especializada em vender produtos de boa qualidade para uma vida simples, todos os dias” ❤️




  Por Camila Soares

Comunicóloga e adepta do slow lifestyle. Escreve sobre a estilo de vida, beleza, saúde, marketing, comportamento, empreendedorismo, e mais o que vier, sempre com foco em conteúdo para quem quer um dia a dia mais leve, saudável e contemplativo.🌿 camila@slowlifestyle.com.br

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Comentários (2)

 Ana Sander  24 de agosto de 2017

Alguma dica para quem passa em média 10horas por dia envolvido com trabalho (maioria da pipulação) e nao tem tempo pra cozinhar?

Responder
 Camila Soares  25 de agosto de 2017

No caso de não conseguir realmente preparar nada e nem fazer as compras com maior critério, uma dica é tentar buscar possíveis fornecedores de marmitas saudáveis e não falo necessariamente a marmita saudável gourmet e sim aquela comida caseira, tem muita gente empreendendo nessa direção. Pode ir se certificando também sobre a origem dos alimentos, o uso de condimentos artificiais e inclusive incentivar esses fornecedores a trazerem ingredientes e opções cada vez mais saudáveis. Muitos empreendedores estão buscando ter essa troca com o cliente, saber o que poderia agradar e levar a uma fidelização.
Caso consiga tirar algumas poucas horas na semana, pode deixar porções na geladeira com folhas, frutas e saladas pré lavadas cortadas ou raladas, alguns alimentos de feitura simples preparados em potes de vidro ou vasilhas que possuem maior vedação e ir consumindo durante a semana, assim estaria produzindo e controlando pelo menos parcialmente o que consome no seu dia a dia. Espero que tenha sido útil 😉

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